ECCE ANCILLA DOMINI

Artista: Piedade Pina
Óleo s/tela; 80x60cm; 2013
Participação na Exposição Colectiva de Artes Visuais - Os Artistas e a Fé



Memória Descritiva da Obra


“Maria” surge-nos nesta obra, como uma jovem mulher, vestida de branco, simbolizando a sua pureza de espírito. A sua figura apresenta-se-nos grávida do “Filho de Deus”. O anjo já a visitou e ela já disse “ Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim a Tua vontade”. Encontra-se envolta num manto semitransparente, entre as cores violeta e púrpura, simbolizando o manto de Cristo – o manto pascal. Carrega uma corda – a corda que o Ecce Homo tem presa ao seu pescoço e mãos, aquando da sua acusação – como que significando a responsabilidade de carregar Aquele que terá por missão, salvar o mundo dos seus pecados. Também ela a carrega, porque também ela sente-se acusada. As suas mãos surgem envolvendo a sua barriga de grávida, numa verdadeira acepção do sentimento existente entre uma mãe e um filho – o de amor verdadeiro e puro; o de protecção. Ela envolve a sua barriga, tentando protegê-lo do que aí vem.
Ao mesmo tempo, o seu ventre, aparece-nos luminoso, significando que aquela criança é de facto a “luz do mundo”.
A sua figura aparece-nos sobre um espaço negro, vazio, sombrio, por tudo o que ela sabe que espera da vinda do seu filho.
A presente obra pretende num primeiro ponto, invocar o lado terreno da vida de Maria – uma mulher jovem, que de repente recebe a visita de um anjo que lhe diz que espera um filho – como se fosse pouca coisa – mais ainda, que esse filho é Filho de Deus e, como se ainda não bastasse, será o salvador do mundo, que libertará o povo dos “grilhões” e o levará a caminho de Deus. Que “peso”, que responsabilidade essa!
Poderá haver maior acto de fé, senão o de uma jovem que, apesar do que é esperado por ela e mais tarde, pelo o que se espera de Jesus e do que O espera, dizer : “Faça-se em mim a Tua vontade”, com tamanha dedicação e fé?
Ao invocar o lado terreno de Maria, vemo-la sob outros olhos: Uma futura mãe, que abraça essa missão, mas que sabe dos riscos que esse filho correrá, e preanuncia através dos seus sentimentos interrogativos. O seu rosto está direccionado para quem a vê – o espectador – e questiona-o sobre o que realmente pretende – tocar-lhe na barriga, num gesto de carinho e de amor, como ela o faz ou, acusar aquela criança que foi gerada e está no seu ventre. O seu olhar apresenta-se brilhante, emocionada, quase a chorar (de tristeza pelo o que prevê ou de alegria pelo que espera – a criança) – mas ainda assim, sem verter uma única lágrima, sinal da sua força interior. Os seus lábios não sorriem. Estão algo tensos, num misto de sentimentos. Ela realmente espera que decidamos que rumo escolhemos, enquanto espectador: Apoiamos ou somos os acusadores?
Maria está paciente na sua própria impaciência humana.



Comentários

Mensagens populares deste blogue